Este mês que passou li o diálogo Fedro de Platão.

Neste diálogo Sócrates conversa com Fedro sobre um discurso de Lísias (um sofista) sobre o Amor e os apaixonados.

O argumento central de Lísias era que pessoas apaixonadas são descontroladas e podem acabar se contradizendo uma vez saciado seu desejo do ser amado. Clarice Falcão faz uma caricatura desse descontrole no seu vídeo “Macaé“.

Lísias tem razão nos argumentos que apresenta, e inicialmente Sócrates até concorda com eles.

O problema é que Lísias não definiu o que é o Amor e usou uma perspectiva limitada/tendenciosa para dar um golpe: convencer um jovem atraente que Lísias (que diz não o amar) se relacionaria melhor do que com uma pessoa que o ama (que são várias e disputam sua atenção).

Em resumo, Lísias “pinta” os apaixonados como pessoas descontroladas e interesseiras para posar como a melhor opção não afetado pela “loucura” do amor. Pode acontecer, algumas pessoas tem dificuldade de lidar com suas emoções.

Porém depois Sócrates define e legitima o amor, um sentimento divino, que é nos capaz de levar longe!

Nossa visão do mundo o transforma – na música de Clarice isto é exagerado em todos os versos de “A Gente Voltou“; separados os amantes, tudo acaba e não tem sentido. Ao se juntarem, o mal desaparece; o afundamento do Titanic, as doenças terminais, o crime, enfim toda a tristeza.

Por isso é importante vermos todos como dignos de serem amados, ver que é possível sermos melhor do que somos hoje. O que imaginamos molda nosso universo cognitivo. Precisamos acreditar e imaginar uma sociedade melhor se queremos que nosso futuro vá nessa direção. Essa imaginação deve causar nossa ação para que ela se torne realidade.