Segundo Scott McCloud (de forma extremamente simplificada – recomendo os seus três livros já publicados no Brasil em português), os quadrinhos são imagens postas uma após a outra para demonstrar a passagem de tempo. Seja desenhada por norte-americanos, europeus, asiáticos, orientais ou latino-americanos.

Para mim os quadrinhos tinham um significado maior que a sua simples definição: histórias que traziam coisas novas! Um personagem começava com um desafio e saia dele maior e melhor do que começou. Levei muito tempo para entender isso. E sempre havia desafios, o caminho nunca era direto, havia uma prova do valor dos heróis. Foi isso que sempre gostei e procurei nas histórias. Mas levei muito tempo para entender isso.

Como muitos brasileiros comecei lendo mesmo a turma da Mônica. A seguir Asterix e Obelix, a antiga revista dos Trapalhões pela ed. Abril e algum tempo depois descobri os super-heróis. Peguei na banca uma revista para esperar o horário do dentista e então fui fisgado! Esta predileção incontestável durou até muito depois da minha adolescência.
Em outro momento resolvi olhar para a frenética produção japonesa, aquela variedade me abriu os olhos – embora ainda insista mais nos benditos super-heróis. A ação realmente atiça mais a testosterona e a adrenalina; estímulos poderosos!
Fora então a adrenalina, o que mais prefiro são as histórias de humor. Sendo os quadrinhos apenas mais um veículo dentre tantos outros para contar histórias, basicamente procuro histórias onde os personagens superem desafios e melhorem/cresçam. Pois isto também são símbolos, são incentivos para que eu também cresça.

Autores são difíceis de listar pois não há tantos assim que eu esteja atento. Uderzo e Goscinny (Asterix) certamente foram uma dupla incontestável. Akira Toriyama, pela graça que faz de tudo; Alan Moore pela complexidade e simbolismo marcantes; Grant Morrisson pela inventividade e complexidade, como Moore; Giancarlo Berardi pela base que não deixa pontas soltas e mantém a história “redondinha”; gostei de Brian Lee O’Malley e seu Scott Pilgrim pela novidade na linguagem gráfica que trouxe e a auto-consciência dos personagens.
Desenhistas gosto de alguns até bem estilizados embora prefira um desenho mais “Clássico”: Mike Mignola, Norm Breyfogle, Chris Bachallo, Bryan Hitch, J.H. Williams III, Neil Adams, e outros que não me lembro.

Atualmente estou levando os quadrinhos como hobby. Tenho consciência que atualmente não tenho a desenvoltura e a disciplina para me dedicar a isso profissionalmente. Há coisas que devo conquistar ainda. Continuarei me desenvolvendo, pois sei que isso refletirá nos quadrinhos. Toda a técnica, todo o conhecimento deve fazer você crescer, deve estar relacionado na sua vida. Isso eu sei pois vi acontecer comigo.

Para o alto, e avante!
Maurício Fig, dezembro de 2013